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Emboscada na Amazônia: fiscais ambientais são atacados durante operação contra desmatamento ilegal

Grupo armado cerca agentes do Ibama em terra indígena no Amazonas, incendeia veículo oficial e força equipe a se refugiar na mata


Rafaela Felicciano/Metrópoles

Uma operação de fiscalização ambiental terminou em momentos de tensão neste sábado (15/3) no sul do Amazonas. Servidores do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) foram alvo de um ataque promovido por criminosos armados enquanto realizavam ações contra a extração ilegal de madeira na região.

A equipe, formada por cinco agentes, atuava em inspeções em ramais clandestinos dentro da Terra Indígena Tenharim-Marmelos, localizada no município de Manicoré, quando foi surpreendida por um grupo de aproximadamente 30 homens.

De acordo com informações do órgão ambiental, os suspeitos cercaram os fiscais, realizaram agressões físicas e dispararam armas de fogo. Diante da situação de risco, os servidores foram obrigados a recuar e buscar abrigo em uma área de mata fechada para se proteger.

Apesar da gravidade do ataque, nenhum integrante da equipe sofreu ferimentos graves. No entanto, o veículo oficial utilizado na operação foi destruído após ser incendiado pelos agressores.

Investigação da Polícia Federal

O caso foi registrado e comunicado à Polícia Federal (PF), que ficará responsável pela investigação. Segundo o Ibama, alguns dos envolvidos no ataque já foram identificados pelas autoridades.

Em nota oficial, o instituto repudiou o episódio e afirmou que não tolera agressões contra servidores públicos que atuam na proteção ambiental.

“O Instituto reafirma que ataques a agentes públicos no exercício de suas funções são inaceitáveis e serão rigorosamente apurados pelas autoridades competentes”, informou o órgão.

O Ibama também lembrou que, nesta semana, a Justiça condenou cinco pessoas responsáveis pela destruição de uma aeronave da instituição ocorrida em Manaus, em 2021. Para o órgão, a decisão reforça que atos de violência contra a fiscalização ambiental podem resultar em punições.

Madeira ilegal alimenta crime ambiental

Durante a operação, fiscais identificaram indícios de que parte da madeira retirada de forma clandestina da Terra Indígena Tenharim-Marmelos estaria sendo transportada e comercializada na região da Vila Santo Antônio do Matupi, situada no quilômetro 180 da rodovia Transamazônica.

A exploração ilegal de madeira segue como um dos principais vetores de degradação ambiental na Amazônia. Estimativas apontam que mais de 60% da madeira explorada no estado do Amazonas apresenta algum tipo de irregularidade.

Grande parte desse material é retirada de áreas protegidas, como unidades de conservação e terras indígenas. Posteriormente, a madeira costuma ser “esquentada” — processo em que a origem ilegal é mascarada por meio de documentos falsos ou planos de manejo florestal fraudulentos.

As investigações sobre o ataque e sobre o esquema de exploração ilegal continuam em andamento.

Da redação Estrutural On-line

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