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Manifestações desafiam endurecimento do regime iraniano e deixam dezenas de mortos

Mesmo sob repressão e restrições à internet, atos seguem em várias cidades; balanço aponta 65 vítimas fatais e milhares de prisões


Reprodução/Redes Sociais

Os protestos contra o governo do Irã seguem mobilizando milhares de pessoas em diferentes regiões do país, mesmo diante do reforço da repressão por parte das forças de segurança. De acordo com a organização iraniana de direitos humanos Hrana, ao menos 65 pessoas morreram desde o início das manifestações, sendo 50 manifestantes e 15 integrantes das forças de segurança. O número de detidos já ultrapassa 2,3 mil, segundo a entidade.

Neste sábado (10/1), novas mobilizações foram registradas em cidades como Teerã, Karaj, Shiraz, Qom e Hamedan. Imagens compartilhadas nas redes sociais mostram grandes concentrações de pessoas, barricadas e focos de incêndio durante a noite, apesar das tentativas do governo de restringir o acesso à internet para conter a circulação de informações.

No cenário internacional, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que Washington acompanha a situação de perto e declarou apoio aos manifestantes. Em publicação na rede Truth Social, ele escreveu que os norte-americanos estão “prontos para ajudar”, sem detalhar que tipo de assistência poderia ser oferecida. A declaração ocorre após Trump ter afirmado, dias antes, que o Irã enfrenta “problemas graves” e sugerido a possibilidade de ações militares.

O governo iraniano, por sua vez, sinalizou que pode intensificar a repressão às manifestações, consideradas as maiores dos últimos anos. A Guarda Revolucionária, força de elite ligada ao regime, classificou os protestos como atos de “terrorismo” e afirmou que ataques a prédios públicos representam uma “linha vermelha”.

A mídia estatal informou que um edifício municipal foi incendiado em Karaj, a oeste da capital, atribuindo o episódio aos manifestantes. Em paralelo, a televisão oficial exibiu funerais de agentes de segurança que, segundo o regime, morreram durante confrontos com manifestantes em diferentes cidades.

Vídeos divulgados por grupos oposicionistas, como a Organização Mujahideen do Povo (MEK), mostram centenas de pessoas reunidas em praças de Teerã, incluindo a praça Heravi. No entanto, especialistas destacam que os bloqueios à internet dificultam a verificação independente da real dimensão dos atos.

As manifestações começaram em 28 de dezembro, impulsionadas inicialmente pela alta da inflação e pelo custo de vida, mas rapidamente assumiram um caráter político. Com o avanço dos protestos, palavras de ordem passaram a exigir mudanças estruturais e o fim do regime clerical que governa o país há décadas. As autoridades iranianas acusam Estados Unidos e Israel de estimularem os atos, alegação negada pelos manifestantes e por organizações independentes.

Da redação Estrutural On-line

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