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| Billy Boss/Câmara dos Deputados |
O debate sobre segurança pública ganhou contornos inesperados nesta terça-feira (2) durante um seminário promovido pelo Partido dos Trabalhadores no Rio de Janeiro. O prefeito de Maricá e um dos vice-presidentes nacionais da sigla, Washington Quaquá, afirmou apoio à operação policial realizada em outubro nos complexos da Penha e do Alemão — uma das mais letais já registradas no estado — e utilizou um discurso duro ao comentar o resultado da ação.
Quaquá argumentou que o número de mortes não deveria ser visto como critério de fracasso ou abuso policial. Para ele, a incursão das forças de segurança não conseguiu cumprir o objetivo principal de retomar o controle territorial de áreas dominadas pelo crime organizado.
Segundo dados oficiais, a operação terminou com 122 mortos, incluindo quatro agentes das forças de segurança. A dimensão do confronto reacendeu discussões sobre métodos e limites do uso da força no combate a facções armadas no Rio.
Repercussão interna
As palavras do dirigente petista geraram desconforto entre membros do partido que defendem uma política de segurança com foco na prevenção e sem aprofundar a violência nas comunidades. Apesar disso, Quaquá manteve sua posição, afirmando que a atuação policial seria necessária para enfraquecer grupos criminosos que impõem controle armado sobre a população local.
O prefeito já havia manifestado apoio à megaoperação no dia seguinte ao confronto, ressaltando que ações dessa natureza precisam ser planejadas com maior inteligência e responsabilidade. Ele também criticou o governador do Rio, alegando que houve tentativa de politização do episódio ao atribuir responsabilidades ao governo federal.
Segurança pública no centro do debate
O episódio surge em um momento em que diferentes correntes dentro do PT discutem o futuro das políticas de segurança no país. Especialistas e lideranças políticas presentes no seminário destacaram a urgência de iniciativas que reduzam a presença das facções por meio de investimentos sociais e ocupação permanente do Estado nas áreas mais vulneráveis.
A fala de Quaquá, entretanto, expôs as divergências internas sobre o caminho a ser adotado, sugerindo que o tema seguirá mobilizando fortes disputas de narrativa tanto dentro quanto fora do partido nas próximas semanas.
Da redação Estrutural On-line

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