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| Reprodução redes sociais |
Foi sepultado na tarde desta segunda-feira (1º/12), no Cemitério Cristo Redentor, em João Pessoa (PB), o jovem de 19 anos que morreu após entrar irregularmente no setor de animais selvagens de um zoológico da capital no último domingo (30/11). A cerimônia, simples e acompanhada por poucos familiares, contou com apoio integral da prefeitura, que disponibilizou o serviço de auxílio funeral para cobrir custos de transporte, velório e enterro.
De acordo com a administração municipal, a assistência contemplou desde a remoção do corpo no Instituto de Polícia Científica (IPC) até o deslocamento dos parentes, que residem em uma cidade vizinha. Após a despedida, a equipe também levou os familiares de volta para casa.
Infância marcada por riscos e negligência
O episódio trágico trouxe à tona a história de vida do jovem, descrita por órgãos de proteção como uma trajetória de profunda vulnerabilidade. A conselheira tutelar Verônica Oliveira, que acompanhou o caso durante anos, relatou que ele enfrentou abandono, pobreza e indícios de transtornos mentais desde a infância.
Segundo ela, o primeiro contato com o adolescente ocorreu quando ele tinha cerca de 10 anos, após ser encontrado caminhando sozinho em uma rodovia federal. Desde então, ingressou na rede de acolhimento e passou a receber acompanhamento institucional.
A família biológica enfrentava graves dificuldades emocionais e financeiras. A mãe, acometida por transtornos psiquiátricos, havia perdido o poder familiar e não conseguia oferecer os cuidados necessários, apesar do laço afetivo que o jovem mantinha com ela. Ao longo dos anos, ele deixava abrigos para procurá-la, tentando retomar vínculos que jamais puderam ser reconstruídos.
A busca obsessiva por leões
Relatos de profissionais que conviveram com o jovem indicam que ele cultivava, desde pequeno, a fantasia de viajar para a África e trabalhar com leões. O desejo, repetido diversas vezes às equipes de proteção, influenciou comportamentos arriscados ao longo da adolescência.
Em um episódio registrado pelo Conselho Tutelar, ele chegou a entrar clandestinamente no trem de pouso de uma aeronave. Foi detido antes da decolagem, evitando uma tragédia maior. Policiais que o atenderam em outras ocorrências afirmam que ele comentava com frequência sobre “cuidar de leões” e acreditava que poderia chegar ao continente africano por meios improvisados.
Com histórico de pequenos delitos e episódios de fuga, o jovem circulava pela cidade em situação de extrema fragilidade. A morte, segundo especialistas ouvidos pela reportagem, expõe a necessidade de políticas de proteção mais efetivas para adolescentes e adultos que deixam o sistema de acolhimento sem apoio continuado.
O caso seguirá sendo investigado pelas autoridades locais, enquanto o zoológico reforça protocolos de segurança e revisa procedimentos internos após a invasão da área restrita.
Da redação Estrutural on-line

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