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MP denuncia pai de santo por estuprar adolescente: “Constante ameaça”

Segundo uma das vítimas, de 13 anos, ele a teria convencido a perder a virgindade dizendo que se tratava de um sacrifício religioso


Divulgação

O Ministério Público do Estado de Goiás (MPGO) apresentou denúncia contra um pai de santo investigado por estuprar adolescentes no Entorno do DF. Antônio Roberto Silva do Nascimento, conhecido na comunidade como Betinho, teria cometido as agressões por quase um ano contra, pelo menos, duas menores de idade.

O homem acusado de violência sexual convivia diariamente com as vítimas, de 13 e 16 anos, no Ilê Axé Catubencimbe, situado na Cidade Ocidental. O episódio ocorreu no final do ano passado e, desde então, o processo corre na Justiça.

De acordo com o MPGO, os indícios de autoria e a materialidade estão estampados nos elementos de informações colhidos durante a fase investigativa. A denúncia foi aceita pela Justiça de Goiás na quinta-feira (20/10).

O juiz de direito responsável pela análise da denúncia feita pelo MPGO, Pedro Guarda, determinou que Antônio cumpra medidas cautelares alternativas à prisão.

“Consideradas todas as perturbações vivenciadas pelas vítimas e o temor de sofrerem mal injusto, caso novamente realizem contato com o denunciado, e ainda, depoimento da mãe de uma das vítimas, relatando sofrer constantes ameaças do réu, somada e situação de vulnerabilidade das vítimas, não só porque frequentavam cultos religiosos realizados pelo denunciado, como também, este exercia relação de hierarquia sobre elas”, relata Pedro.

O investigado está proibido de manter contato com a vítima e seus familiares, por qualquer meio e, também, de acessar o centro religioso Illê Axé Catubencimbe.

Relembre o caso
Os abusos sexuais só vieram à tona depois da mulher de 53 anos, uma Ekedi (espécie de auxiliar dos trabalhos), ter sido atacada em um dos aposentos do terreiro, enquanto dormia, em novembro de 2021.

Segundo ela relatou à PCGO, estava dormindo juntamente com as filhas e duas adolescentes, quando acordou apenas de calcinha. Segundo a vítima, por regra da casa, não é permitida às pessoas dormirem de roupa íntima, por isso, na ocasião, estava vestida com um calção e blusa.

“Como eu tomo medicação para dormir, não percebi nenhuma movimentação estranha durante a noite. Quando acordei, perguntei às meninas se elas haviam tirado o meu calção, mesmo sabendo que não fariam isso. Percebi, então, que alguém havia entrado no barraco em que estávamos, pois o toco que segurava a porta havia sido retirado”, detalha a mulher, que prefere não se identificar.

A vítima revelou o ocorrido para todos os que estavam no local naquele dia, inclusive para a dona do terreiro. Segundo ela, ninguém deu ouvidos e a acusaram, inclusive, de ter sofrido uma alucinação. Contudo, uma das adolescentes que estava no aposento confirmou a suspeita de invasão.

Segundo a menina, um homem vestido com a camiseta do Flamengo e uma bermuda preta havia adentrado ao barracão onde elas estavam. Inconformada com a situação e sem apoio da comunidade, a Ekedi foi à delegacia registrar boletim de ocorrência, acompanhada de uma das filhas e de outra jovem.

Após voltarem da polícia, a jovem que dormia juntamente das outras teria contado para a mulher mais velha quem entrou no barraco delas naquela noite. “Ela me afirmou com muita certeza que viu Betinho no nosso quarto, momento em que teria tirado a minha calça e se esfregado em cima dessa mesma jovem”, disse.

Motivada pela colega, a filha da vítima de 53 anos também revelou ter sido vítima de abuso. Segundo contou para a mãe, a menina de 13 anos sofria violências sexuais de Betinho havia cerca de oito meses. Na primeira investida do suposto agressor, ele a convenceu de perder a virgindade dizendo que se tratava de um sacrifício religioso que, na realidade, não existia.

“Ela não tinha muito conhecimento dos rituais e, mesmo sentindo-se constrangida, achou que, se não o obedecesse, seria punida. É muito triste para uma mãe falar disso. A fé da minha filha é o que me levanta todos os dias, que me faz abrir os olhos e acreditar que a justiça pode ser feita”, declara a mulher.

Por Thalita Vasconcelos - Metrópoles

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