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Criminalidade na Asa Norte: área da 716 vira ponto crítico de tráfico e assusta moradores em Brasília

Região próxima a escolas e delegacia convive com roubos, ameaças e uso de drogas; suspeitos se passam por moradores de rua para agir sem levantar suspeitas


BRENO ESAKI/METRÓPOLES @BrenoEsakiFoto

Moradores e comerciantes da Asa Norte, em Brasília, denunciam uma escalada da criminalidade na região da 716 Norte, onde furtos, ameaças e o tráfico de drogas têm gerado medo constante. O local, que já é conhecido informalmente como “beco do crack”, tornou-se um ponto de concentração de usuários e traficantes, com atividade intensa ao longo de todo o dia.

A área fica a cerca de 1,4 quilômetro da 2ª Delegacia de Polícia e próxima a escolas tradicionais da capital, o que aumenta a preocupação de quem vive e trabalha na região. Segundo relatos, criminosos estariam se disfarçando de pessoas em situação de rua para cometer delitos sem chamar atenção.

De acordo com moradores ouvidos pela reportagem, a sensação é de abandono. “A gente vive com medo. Eles ameaçam, xingam, furtam e fazem o que querem”, contou uma moradora, que preferiu não se identificar. Ela relata episódios frequentes de intimidação, inclusive quando não consegue atender pedidos por comida ou dinheiro.

Os principais focos de concentração ficam entre blocos comerciais, especialmente em áreas com pouca iluminação, o que facilita a ação de criminosos durante a noite. No entanto, segundo os relatos, a insegurança é constante, independentemente do horário.

Casos de violência também foram registrados. Um comerciante afirmou ter presenciado a agressão de uma mulher, que ficou ferida em frente às lojas. “Já tentaram retirar esse pessoal, mas em poucos dias tudo volta ao normal”, disse.

Além dos crimes, a situação de higiene preocupa. Comerciantes relatam acúmulo de lixo, restos de comida e fezes em áreas comuns, o que tem atraído pragas urbanas. Para tentar conter invasões e furtos, alguns estabelecimentos passaram a instalar grades e até arame farpado.

Outro morador afirmou que residências têm sido alvo frequente de invasões. “Casas são roubadas várias vezes. A polícia prende, mas logo estão de volta. À noite, quem trabalha e paga impostos fica vulnerável”, desabafou.

Em nota, a Secretaria de Desenvolvimento Social do Distrito Federal (Sedes-DF) destacou que não há evidências de que pessoas em situação de rua sejam responsáveis por crimes e alertou para o risco de estigmatização desse grupo. A pasta informou que atua com políticas de acolhimento, abordagem social e oferta de serviços, como os Centros Pop e o Hotel Social.

Já a Secretaria de Segurança Pública (SSP-DF) reconheceu que há infiltração de criminosos que se aproveitam da vulnerabilidade social para praticar delitos e traficar drogas. Segundo o órgão, a Asa Norte foi incluída no programa “Brasília Mais Segura”, que prevê reforço no policiamento, especialmente em áreas com maior incidência de crimes durante a madrugada.

Mesmo com as ações anunciadas, moradores cobram medidas mais efetivas e imediatas para conter a violência e devolver a sensação de segurança à região.

Da redação Estrutural On-line

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