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| Hugo Barreto/Metrópoles |
A recente movimentação de parlamentares contrários ao governador Ibaneis Rocha (MDB) em defesa da federalização — e até da extinção — do Banco de Brasília (BRB) elevou o tom do embate político no Distrito Federal. Para aliados do Palácio do Buriti, o banco público estaria sendo transformado em campo de batalha eleitoral, com o objetivo de desgastar a atual gestão.
Nos últimos dias, deputados distritais, federais e senadores passaram a questionar a situação da instituição financeira e a sugerir que o controle do banco seja transferido à União. A leitura de integrantes do governo é que a proposta ultrapassa o debate técnico e assume contornos estratégicos: ao atingir o BRB, atinge-se diretamente uma das principais ferramentas administrativas do GDF.
O episódio ganhou novos desdobramentos após o corregedor nacional de Justiça, Mauro Campbell Marques, solicitar esclarecimentos a tribunais que mantêm folhas de pagamento e depósitos judiciais no BRB. A medida abriu discussão sobre os limites institucionais da decisão, já que a supervisão do sistema financeiro é atribuição do Banco Central. Juristas ouvidos por interlocutores do governo avaliam que é preciso cautela para evitar insegurança jurídica.
Atualmente, recursos provenientes de folhas salariais e depósitos judiciais de diferentes estados, além do próprio DF, compõem parcela importante da base financeira do banco. A eventual retirada desses valores poderia impactar a liquidez da instituição e gerar reflexos mais amplos na economia local.
O BRB, por sua vez, apresentou ao Banco Central um plano de reestruturação que prevê alienação de ativos, reforço de capital e negociação de obrigações junto ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC). A direção sustenta que as dificuldades enfrentadas decorrem de operações anteriores, vinculadas ao Banco Master, e não de decisões adotadas pela atual gestão.
No entorno do governador Ibaneis Rocha, a avaliação é que o debate precisa ser conduzido com responsabilidade e foco técnico, sem transformar o banco em instrumento de disputa política. Para aliados, defender a federalização significaria abrir mão de um ativo estratégico que garante autonomia financeira ao DF e sustenta políticas públicas em áreas como infraestrutura, saúde e educação.
O BRB cumpre papel central no desenvolvimento regional, no apoio ao setor produtivo e na oferta de crédito a servidores e empresas locais. Fragilizar o banco é fragilizar a capacidade de investimento do Distrito Federal.
Em meio ao cenário, o governador tem reiterado confiança na solidez institucional do BRB e na condução das medidas de ajuste em diálogo com os órgãos reguladores. A expectativa do Executivo local é que o debate se mantenha no campo técnico e que o banco preserve sua função como instrumento de desenvolvimento e autonomia do DF.
Da redação Estrutural On-line

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