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Opinião | Diga com quem tu andas, que eu direi quem tu és

Fotos: Rafaela Felicciano/Metrópoles e Francisco Gelielçon/Estrutural On-line

Há momentos na política em que os gestos falam mais alto do que discursos longos e bem ensaiados. A recente manifestação do vice presidente da CLDF, Ricardo Vale, em defesa do deputado Fábio Félix, é um desses casos que revelam muito mais do que aparentam.

Não se trata apenas de solidariedade entre colegas de Parlamento. O que se viu foi algo além: a tentativa de transformar uma instituição que representa toda a população do DF em palco para reforçar uma narrativa unilateral contra a Polícia Militar.

E aqui cabe a velha máxima: diga com quem tu andas, que eu direi quem tu és.

Quando um parlamentar escolhe se posicionar antes mesmo da conclusão das apurações, ele não está apenas defendendo um aliado — está assumindo uma postura política que expõe suas prioridades. Ao utilizar a estrutura institucional da Câmara para sustentar a tese de abuso policial, cria-se uma impressão perigosa: a de que a corporação já está condenada no tribunal da retórica antes de qualquer investigação técnica.

A PMDF não é um grupo político. É uma instituição de Estado, responsável por garantir a segurança de milhões de cidadãos. Seus agentes atuavam em meio a uma ocorrência durante o Carnaval — um evento que exige controle, técnica e rapidez. O uso de spray de pimenta, conforme informado pela própria corporação, ocorreu dentro de protocolo operacional, após contato físico em uma barreira policial. Isso não é opinião, é procedimento.

Transformar um episódio operacional em bandeira ideológica enfraquece o debate público. Mais grave: desgasta a relação entre poderes e transmite à sociedade a ideia de que a autoridade policial pode ser deslegitimada ao sabor da conveniência política.

A Câmara Legislativa não pertence a um grupo, nem pode servir de trincheira para disputas narrativas. É a Casa do povo. Quando sua estrutura é utilizada para amplificar embates individuais, abre-se um precedente perigoso.

É claro que toda ação estatal deve ser apurada — inclusive a policial. Mas apuração não é condenação prévia. Defesa institucional não é ataque automático à polícia.

No fim das contas, alianças revelam identidades. E quando se escolhe o palanque em vez da prudência, a mensagem que fica não é de equilíbrio, mas de alinhamento.

E a sociedade observa.

Por Francisco Gelielçon
#EstruturalOnLine

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