Com mais de mil ocorrências em 2025, crime afeta segurança, causa prejuízos e chega a comprometer serviços essenciais, incluindo unidades de saúde
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| Imagem de Oto Zapletal por Pixabay |
O avanço dos furtos de cabos de energia elétrica tem gerado uma série de transtornos para moradores do Distrito Federal, que enfrentam quedas constantes no fornecimento de luz, perdas financeiras e uma crescente sensação de insegurança. A prática, além de provocar danos materiais, interfere diretamente no funcionamento de serviços públicos e altera hábitos cotidianos da população.
Dados da Neoenergia Brasília apontam que, somente em 2025, foram contabilizadas 1.108 ocorrências entre furtos consumados e tentativas — média superior a três casos por dia. Ao longo do ano, mais de 100 mil consumidores tiveram o abastecimento de energia prejudicado.
O Plano Piloto lidera o ranking das regiões mais afetadas, com 602 registros envolvendo Asa Norte e Asa Sul. Em seguida aparece Águas Claras, que somou 120 episódios.
Prejuízos dentro de casa
Moradora da 703 Sul há cerca de 15 anos, a servidora pública Fabiane Freitas relata ter enfrentado uma sequência de problemas no fim do ano passado após uma pane elétrica provocada pelo crime. Segundo ela, a energia começou a oscilar diversas vezes até que a quadra ficou totalmente às escuras.
No dia seguinte, os danos ficaram evidentes. “Minha filha foi usar o micro-ondas e o aparelho começou a estalar e soltar fumaça. Perdi vários equipamentos, o motor do portão queimou e o ar-condicionado também apresentou defeito”, contou.
Apesar de ter conseguido acionar o seguro residencial para amenizar as perdas, Fabiane afirma que o medo de novos episódios permanece. A região ficou aproximadamente seis horas sem energia.
Ela também registrou em vídeo, em outubro de 2025, o momento em que um homem abre uma caixa de energia e sai levando fios com o apoio de outro suspeito.
Moradores reagem
Outro residente da Asa Sul afirma que, diante da repetição dos crimes, a própria comunidade passou a adotar medidas preventivas. Em uma das ocorrências, vizinhos conseguiram identificar suspeitos, cercar o veículo utilizado e acionar a polícia, que efetuou a prisão.
Entre as tentativas de proteção, moradores chegaram a soldar tampas de caixas de energia e reforçar acessos a postes de iluminação pública, mas o custo elevado dificultou a adoção das medidas em toda a região.
Sensação de abandono
Para a presidente do Conselho Comunitário da Asa Sul, Patrícia Carvalho, os impactos vão além dos prejuízos materiais. Segundo ela, áreas inteiras podem permanecer sem iluminação por dias — às vezes semanas — afetando tanto moradores quanto comerciantes.
“A falta de luz interfere diretamente na segurança. Espaços escuros passam uma impressão de abandono e acabam atraindo criminalidade”, afirmou. Patrícia admite que passou a evitar sair à noite devido ao receio.
Ela destaca ainda que a iluminação pública desempenha papel fundamental na prevenção de delitos e que a falha desse serviço gera consequências coletivas.
Risco para serviços essenciais
As consequências do furto de cabos se tornam ainda mais graves quando atingem unidades de saúde. Em março do ano passado, uma interrupção de energia ligada ao problema afetou o Hospital Regional do Paranoá, levando à piora no estado clínico de alguns pacientes, incluindo recém-nascidos.
A Secretaria de Saúde do DF informou que quedas de energia podem provocar instabilidade em sistemas digitais, dificultar o acesso a prontuários e exigir a reorganização imediata dos atendimentos. Apesar disso, hospitais contam com geradores e equipamentos de backup para manter setores críticos — como UTIs, centros cirúrgicos e emergências — em funcionamento.
Os aparelhos passam por testes periódicos e têm abastecimento garantido por contratos de manutenção, com suporte da Subsecretaria de Infraestrutura em Saúde.
Escolas sem registros
Já a Secretaria de Educação do Distrito Federal informou que não há registros de furtos de cabos nas escolas públicas nem suspensão de aulas por esse motivo. As unidades contam com serviços de vigilância para evitar esse tipo de ocorrência.
Enquanto autoridades e concessionárias buscam estratégias para conter o avanço do crime, moradores seguem convivendo com a incerteza e adaptando suas rotinas diante de um problema que, embora pareça simples, tem efeitos cada vez mais amplos na vida urbana.
Da redação Estrutural On-line

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