Organizações de direitos humanos denunciam julgamento sumário e falta de garantias legais no caso do manifestante de 26 anos
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| Reprodução redes sociais |
O governo do Irã anunciou a execução de um jovem preso durante as recentes manifestações contra o regime dos aiatolás, em um caso que vem provocando forte preocupação entre entidades internacionais de defesa dos direitos humanos. Erfan Soltani, de 26 anos, deverá ser o primeiro manifestante executado desde o início da atual onda de protestos no país.
De acordo com a Organização Hengaw para os Direitos Humanos, responsável por monitorar a situação no Irã, Soltani foi detido no dia 8 de janeiro, em sua residência, localizada na cidade de Fardis, região de Karaj. Apenas quatro dias após a prisão, familiares foram informados de que a execução estava marcada, sem que tivessem acesso a detalhes sobre as acusações ou o andamento do processo judicial.
A ONG denuncia que o jovem não teve direito a um julgamento transparente nem a garantias básicas previstas em tratados internacionais. Segundo a Hengaw, desde a detenção, Erfan foi impedido de consultar um advogado, apresentar defesa formal ou acompanhar os procedimentos legais. Nem mesmo sua irmã, que atua como advogada, conseguiu acesso ao processo, apesar das tentativas de recorrer por vias judiciais.
Ainda conforme os relatos, a família teve apenas um breve encontro com o jovem antes da execução, sem esclarecimentos oficiais sobre os motivos da condenação. Para a organização, o caso representa uma grave violação do Pacto Internacional sobre os Direitos Civis e Políticos, especialmente no que diz respeito ao direito à vida e ao devido processo legal.
Especialistas e ativistas afirmam que a rapidez e a falta de transparência no caso reforçam o temor de que a pena de morte esteja sendo utilizada como ferramenta de intimidação política para conter as manifestações populares.
Os protestos, considerados os mais intensos desde 2009, começaram no fim de 2025 e já se espalharam por ao menos 187 cidades iranianas. O movimento ocorre em meio a uma severa crise econômica e social. Até o momento, organizações independentes estimam cerca de 2 mil mortos e mais de 10,7 mil pessoas presas durante a repressão promovida pelas forças de segurança do Estado.
Da redação Estrutural On-line

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