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| Imagem pixabay |
O comando político do Irã adotou um tom de enfrentamento diante da maior mobilização popular registrada no país nos últimos anos. Em pronunciamento feito nesta sexta-feira (9/1), o líder supremo iraniano, aiatolá Ali Khamenei, afirmou que o Estado não cederá às pressões provocadas pelas manifestações que já duram quase duas semanas.
As declarações ocorreram após 13 dias consecutivos de protestos em diversas cidades iranianas, iniciados no fim de 2025. Os atos têm como pano de fundo a deterioração das condições de vida da população, agravada por décadas de sanções internacionais que impactaram diretamente a economia nacional.
Em seu discurso, Khamenei atribuiu a instabilidade a grupos que, segundo ele, atuariam para enfraquecer o país a partir de interesses externos. O líder religioso acusou manifestantes e opositores de agir em sintonia com potências estrangeiras, especialmente os Estados Unidos, com o objetivo de desestabilizar o regime islâmico.
“O Irã não será intimidado por ações que buscam espalhar o caos e a destruição”, afirmou o aiatolá, ressaltando que a República Islâmica foi construída com grandes sacrifícios humanos e, por isso, não abrirá mão de sua soberania.
Em meio à escalada da repressão, o governo iraniano promoveu um bloqueio quase total da internet na quinta-feira (8/1). De acordo com a organização NetBlocks, especializada em monitoramento digital, o apagão deixou sites e serviços online do país praticamente fora do ar, dificultando a comunicação da população com o exterior.
A reação internacional também se intensificou. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou que pode adotar medidas mais duras caso haja confirmação de mortes de civis durante a repressão aos protestos, elevando a tensão diplomática entre os dois países.
Segundo balanço divulgado pela Agência de Notícias de Ativistas de Direitos Humanos (HRANA), ao menos 36 pessoas morreram desde o início das manifestações. A maioria das vítimas seria composta por manifestantes, enquanto dois óbitos registrados são de integrantes das forças de segurança. A atual onda de protestos já é considerada a mais expressiva no Irã desde 2022.
Da redação Estrutural On-line

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