Sindicato denuncia prisões durante cerimônia oficial em Caracas e cobra garantias para o exercício do jornalismo no país
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| Imagem de Dylan Agbagni por Pixabay |
A atuação de forças ligadas ao chavismo voltou a gerar preocupação entre entidades de defesa da liberdade de imprensa na Venezuela. Pelo menos sete jornalistas foram detidos nas imediações da Assembleia Nacional, em Caracas, durante um evento político realizado nesta segunda-feira (5). A informação foi divulgada pelo Sindicato Nacional dos Trabalhadores da Imprensa (SNTP) e confirmada por fontes locais.
Segundo a entidade, três dos profissionais já foram liberados, enquanto os demais continuam sob custódia das autoridades. As detenções ocorreram durante a cerimônia de posse de Delcy Rodríguez, vice de Nicolás Maduro, que passou a exercer o comando do país em meio a um contexto de instabilidade política.
Em nota oficial, o SNTP afirmou que os jornalistas teriam sido abordados e presos sob a alegação de descumprimento de uma ordem que proibia transmissões ao vivo, registros em vídeo ou fotografias da sessão de abertura do Parlamento e da solenidade de posse. A entidade, no entanto, classificou a ação como arbitrária e alertou para a escalada de restrições ao trabalho da imprensa.
Até o momento, o governo venezuelano não apresentou esclarecimentos públicos sobre as detenções nem detalhou os fundamentos legais das ações. A ausência de posicionamento oficial reforça, segundo o sindicato, o clima de insegurança enfrentado por comunicadores no país.
Ainda nesta semana, o SNTP voltou a cobrar a libertação de outros 23 profissionais de imprensa que, segundo a organização, permanecem presos sem justificativa adequada. O sindicato também denunciou o bloqueio de mais de 60 veículos de comunicação na internet ao longo dos últimos anos e pediu garantias mínimas para que jornalistas possam atuar sem intimidações ou censura.
O episódio ocorre em um momento de incertezas quanto ao futuro político da Venezuela. Apesar da captura de Nicolás Maduro e das declarações do ex-presidente norte-americano Donald Trump sobre uma eventual administração dos Estados Unidos durante um período de transição, o controle das instituições venezuelanas segue nas mãos de autoridades alinhadas ao chavismo. Maduro, por sua vez, deverá enfrentar julgamento nos EUA por acusações relacionadas ao tráfico de drogas, enquanto o país permanece em um cenário de tensão e indefinição.
Da redação Estrutural On-line

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