A crise interna no Irã ganhou novos contornos neste fim de semana com a divulgação de um balanço que aponta para mais de cinco centenas de mortes desde o início das manifestações que se espalharam pelo país. Levantamento da organização Human Rights Activists News Agency (HRANA), publicado no domingo (11/1), indica que ao menos 538 pessoas perderam a vida durante os protestos, considerados os mais intensos dos últimos anos.
De acordo com os dados reunidos pela ONG, a maioria das vítimas é formada por civis que participavam dos atos: 490 manifestantes morreram em confrontos ou ações repressivas. Entre as forças de segurança, foram registradas 48 mortes. O relatório também aponta que o número de detenções já ultrapassa 10 mil pessoas em diferentes regiões do país.
A HRANA afirma que as informações foram obtidas por meio de contatos diretos no território iraniano e confirmadas com base em checagens cruzadas junto a fontes independentes. Ainda assim, analistas alertam que o total de vítimas pode ser maior. A dificuldade de acesso à internet, severamente restringida pelas autoridades, tem limitado a circulação de imagens e relatos. Segundo a ONG de monitoramento digital Netblocks, o bloqueio quase total da rede segue em vigor, o que dificulta a verificação dos acontecimentos em tempo real.
Enquanto isso, continuam surgindo denúncias de uso excessivo da força por parte da polícia e de unidades de segurança. Neste domingo, o comandante da polícia iraniana, Ahmad-Reza Radan, reconheceu que os confrontos se tornaram mais intensos, sinalizando um endurecimento da resposta estatal às manifestações.
No campo político, o tom também se elevou. Durante uma sessão parlamentar, o presidente do Parlamento do Irã, Mohammad Bagher Ghalibaf, declarou que o país reagirá de forma contundente a qualquer ação externa, especialmente dos Estados Unidos. Segundo ele, eventuais ataques militares resultariam em retaliações diretas contra interesses norte-americanos e israelenses na região.
A declaração foi divulgada em vídeos por meios de comunicação locais e surge após manifestações públicas do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que afirmou no sábado (10/1) que Washington estaria “pronto para ajudar” os manifestantes iranianos. A mensagem foi publicada em sua rede social, sem detalhar que tipo de apoio seria oferecido.
Apesar do aumento da repressão e das ameaças no plano internacional, os protestos continuam ativos em diversas cidades iranianas, alimentando um cenário de instabilidade que preocupa observadores e organizações de direitos humanos dentro e fora do país.
Da redação Estrutural On-line

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