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| Imagem de Gerd Altmann por Pixabay |
A Justiça da Flórida, nos Estados Unidos, emitiu nesta segunda-feira (19) um mandado de prisão contra o ex-presidente de Cuba Raúl Castro, de 95 anos, acusado de envolvimento na derrubada de duas aeronaves civis em 1996. A medida foi anunciada pelo procurador-geral do estado, James Uthmeier, e está relacionada à morte de quatro pessoas durante uma operação militar cubana em águas internacionais.
A acusação sustenta que Castro, que na época ocupava os cargos de ministro da Defesa e primeiro vice-presidente de Cuba, teve participação na autorização do ataque. O mandado foi expedido no âmbito de um processo estadual por conspiração para cometer homicídio em primeiro grau.
Ataque a aviões civis deixou quatro mortos
O caso remonta a 24 de fevereiro de 1996, quando aeronaves militares cubanas derrubaram dois aviões da organização Irmãos ao Resgate (Brothers to the Rescue), formada por exilados cubanos que realizavam missões para localizar e auxiliar pessoas que tentavam deixar a ilha.
Os aviões foram atingidos por mísseis quando sobrevoavam águas internacionais. As quatro pessoas que ocupavam as duas aeronaves morreram. Entre as vítimas estavam Carlos Costa, Pablo Morales, Mario de la Peña e Armando Alejandre Jr., citados pelas autoridades da Flórida.
Segundo a investigação apresentada pelo estado americano, integrantes da inteligência cubana teriam se infiltrado no grupo e repassado informações sobre os voos às autoridades de Havana. A denúncia atribui a Raúl Castro um papel na cadeia de decisões que levou à ação militar.
Ex-presidente também é alvo de acusação federal
A iniciativa da Justiça da Flórida ocorre após uma acusação semelhante apresentada pelo governo federal dos Estados Unidos em maio de 2026. Os dois procedimentos estão relacionados ao mesmo episódio, mas tramitam em esferas judiciais distintas.
Para as autoridades americanas, a emissão do mandado representa uma tentativa de responsabilizar os envolvidos no ataque, mesmo após três décadas dos acontecimentos.
Apesar da decisão, não há garantia de que Raúl Castro será levado a julgamento nos Estados Unidos. O ex-presidente permanece em Cuba, e sua eventual detenção depende de circunstâncias que permitam o cumprimento da ordem judicial.
Governo cubano rejeita acusações
O caso amplia as tensões entre os Estados Unidos e Cuba, países que mantêm uma relação marcada por décadas de disputas políticas e econômicas.
O presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, já havia rejeitado acusações anteriores relacionadas ao episódio, classificando a iniciativa americana como politicamente motivada. A nova medida surge em meio ao aumento da pressão de Washington sobre o governo cubano.
Raúl Castro governou Cuba após a saída de seu irmão, Fidel Castro, e deixou a Presidência em 2018. Ele também se afastou da liderança do Partido Comunista em 2021, embora continue sendo uma figura histórica de grande influência na política do país.
A investigação sobre a derrubada das aeronaves volta, assim, ao centro das relações entre Havana e Washington, com possíveis consequências judiciais e diplomáticas.
Da redação Estrutural On-line

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