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| BRENO ESAKI/METRÓPOLES @BrenoEsakiFoto |
As empresas estatais federais registraram déficit primário de aproximadamente R$ 2 bilhões em setembro de 2026, o pior resultado para o mês desde o início da série histórica do Banco Central (BC), em dezembro de 2001. Os dados foram divulgados nesta quinta-feira (29/10) e mostram que o saldo negativo dessas companhias chegou a R$ 8,5 bilhões nos primeiros nove meses do ano.
O resultado representa uma deterioração das contas das empresas públicas federais em comparação com o mesmo período de 2025, quando o déficit acumulado entre janeiro e setembro havia sido de R$ 6,3 bilhões.
Um dos fatores que chamam a atenção no levantamento é a sequência de resultados negativos ao longo de 2026. Agosto foi uma exceção, quando as estatais conseguiram registrar superávit de R$ 1,76 bilhão. No mês seguinte, porém, voltaram ao vermelho.
Correios estão entre os fatores de pressão financeira
A situação financeira dos Correios aparece entre os elementos que ajudam a explicar as dificuldades enfrentadas por parte das empresas públicas.
No segundo trimestre deste ano, a estatal registrou prejuízo de R$ 2,4 bilhões. A empresa passa por um processo de reestruturação financeira para tentar recuperar sua capacidade operacional e equilibrar as contas.
O governo também autorizou garantias para viabilizar um novo empréstimo de R$ 7 bilhões destinado à companhia.
Apesar dos números negativos, o Banco Central ressalta que o déficit primário, isoladamente, não permite determinar se uma empresa está apresentando prejuízo contábil. Isso porque o indicador também considera despesas com investimentos, que podem reduzir o caixa no presente, mas gerar retorno financeiro posteriormente.
Déficit das estatais pressiona contas públicas
O levantamento do Banco Central também mostra dificuldades nas contas do setor público consolidado, que reúne governo federal, estados, municípios e empresas estatais.
Em setembro, o resultado primário do setor público foi negativo em R$ 5,5 bilhões. O governo central conseguiu registrar superávit de R$ 3,5 bilhões, mas os resultados negativos dos governos regionais e das empresas públicas contribuíram para o saldo deficitário.
No acumulado de 12 meses até setembro, o déficit primário do setor público consolidado alcançou R$ 70,1 bilhões, equivalente a 0,52% do Produto Interno Bruto (PIB).
Outro indicador que chama a atenção é a dívida bruta do governo geral, que chegou a R$ 11,1 trilhões, correspondente a 82,9% do PIB.
Resultado exige atenção sobre a gestão das empresas públicas
Os números divulgados pelo Banco Central reacendem o debate sobre a situação financeira das estatais brasileiras, a necessidade de investimentos e o equilíbrio das contas públicas.
A análise dos resultados, entretanto, exige observar as particularidades de cada companhia, especialmente a diferença entre despesas operacionais, investimentos e prejuízos efetivos.
O levantamento das estatais federais não inclui empresas como Petrobras e instituições financeiras públicas, a exemplo do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal.
Com o déficit acumulado em níveis recordes, o desempenho financeiro das empresas públicas permanece entre os pontos de atenção no cenário fiscal brasileiro.
Da redação Estrutural On-line

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