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Celina Leão afirma que privatização do BRB está completamente descartada

Governadora chamou de “fake news” a avaliação do banco para eventual desestatização e afirmou que o BRB “está firme”
LUIS NOVA / METRÓPOLES@LuisGustavoNova

A governadora do Distrito Federal e candidata à reeleição, Celina Leão (PP), afirmou na manhã desta terça-feira (6/10) que a possibilidade de privatização do Banco de Brasília (BRB) está “completamente descartada”.

Celina classificou como “fake news” a informação de que uma instituição financeira teria sido escolhida para calcular o valor de mercado do BRB com o objetivo de subsidiar um eventual processo de desestatização.

“Nós estamos também conversando para pegar esse financiamento também internacional, para não depender de um sindicato de bancos aqui. Nós temos outras saídas também, mas não tem isso aí, está de descartada completamente [a desestatização]”, afirmou a governadora após uma reunião com candidatos da coligação Propósito e Ação no Ulysses Centro de Convenções.

Em 17 de setembro, Celina reuniu-se com investidores dos Emirados Árabes Unidos interessados em fazer um aporte no BRB para auxiliar na recuperação da instituição.

Segundo a governadora, o tema é explorado desde o primeiro turno com a intenção de gerar instabilidade. Ela também declarou que o banco permanece firme e que a população tem ajudado a preservar a liquidez da instituição.

“Eles estão falando isso desde o primeiro turno para desestabilizar. Eu acho que esse tipo de notícia é tão negativa. O banco BRB está firme, nós estamos. A população tem mantido a liquidez, as pessoas que acreditam no BRB, sabem que nós vamos tirar o banco dessa situação”, acrescentou.

Resultado do primeiro turno

Durante o encontro, Celina também comentou o desempenho do senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) no primeiro turno. Na avaliação dela, a vantagem sobre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi “um recado muito grande” dos eleitores brasileiros.

“Essa eleição é uma eleição de responsabilidade. É o que eu sempre falo: ninguém quer um Supremo [Tribunal Federal, o STF] que esteja invadindo competência, mas ninguém quer um Supremo, também, que não tenha a sua autonomia. Um Supremo com autonomia, um Senado com autonomia, uma Câmara Federal com autonomia”, disse durante o encontro da coligação Propósito e Ação no Centro de Convenções Ulysses.

Com 99,99% das urnas apuradas, os números divulgados foram:

Candidato Votos Percentual
Flávio Bolsonaro (PL) 56.104.268 47,03%
Luiz Inácio Lula da Silva (PT) 53.876.617 45,16%

Flávio e Lula voltarão a se enfrentar no segundo turno, marcado para 25 de outubro.

Ao destacar a relevância das Eleições 2026, Celina afirmou que o pleito “vai definir destino”. De acordo com ela, além da escolha do próximo presidente da República, a votação estará relacionada à definição de quatro novos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).

A governadora também fez críticas a decisões judiciais que, na opinião dela, interferem na presença de candidatos em debates e no exercício do trabalho jornalístico.

“[As decisões] invadem ali destinos. Assim, começa-se a ter um país onde aquilo que é talvez o nosso maior pilar da democracia, que é uma imprensa livre, uma imprensa que tem o direito de noticiar em cima de fontes, violadas com busca e apreensão. Nós temos debates cujas regras são ditadas pelo Judiciário. Ninguém quer isso”, declarou.

Em seguida, Celina relacionou o resultado das urnas à futura composição do Senado e disse esperar mudanças independentemente de quem assumir a Presidência da República.

“Eu acho que isso foi um fator fundamental para a gente ver onde nós estamos pisando. E a eleição já se deu no Senado. Com essa turma que foi eleita no Senado, vocês podem ter certeza que, independentemente do presidente da República, vai ter mudança. Mas acho que o próprio Flávio, já chegando na frente, já deu um recado”.

Ao longo da campanha, candidatos de direita citaram a possibilidade de impeachment de ministros do STF. Por esse instrumento, o Congresso pode processar um integrante da Corte por crime de responsabilidade, mas cabe ao presidente do Senado decidir se o pedido terá andamento.

Depois que a solicitação é protocolada, não há prazo definido para que o presidente do Senado faça a análise. Dessa forma, uma denúncia pode ficar sem decisão por tempo indeterminado.

Mais de 26 mil eleitores digitaram 22 para governador

Celina também abordou o erro cometido por parte do eleitorado ao digitar, na urna eletrônica, o número do candidato ao Governo do Distrito Federal. Conforme dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), mais de 26 mil eleitores do DF anularam o voto para governador ao informar o número 22. Ao todo, foram 26.603 votos nessa condição.

22 Número digitado para governador
26.603 Votos anulados nessa situação

“Muita gente me ligou no dia achando que as urnas estavam erradas e aí fica aquelas teorias malucas, mas não era isso. Era que as pessoas estavam digitando o número 22, tinha muito jingle com o número 22, porque eu, a Michelle e da Bia, a gente estava sempre junta. É ensinar que o nosso número é 11. Nosso dever de casa número 1 é continuar trabalhando, pedindo o apoio daqueles que já estavam conosco”, afirmou Celina.

O número 22 identifica o Partido Liberal (PL), que não lançou candidatura própria ao Governo do Distrito Federal no primeiro turno. A legenda, no entanto, fez parte da coligação de Celina Leão. Filiada ao PP, ela aparece na urna com o número 11.

“Como diz um amigo: minha botina está mais famosa que o 11. Então, o 11 precisa estar mais famoso. As pessoas têm que saber que o número 11 é o nosso número. Ainda vamos ter o 22 na urna, que é o número do Flávio, a nossa campanha está colada. Então, [é preciso] explicar muito bem para as pessoas”, acrescentou.

Celina terminou o primeiro turno a 168 votos de garantir a eleição. Ela recebeu 825.530 votos e precisava que mais 168 eleitores registrassem seu número nas urnas do Distrito Federal para vencer naquela etapa.

825.530 votos recebidos por Celina Leão
168 votos que faltaram para a vitória no primeiro turno

Os dados do TSE mostram que Celina conquistou a maioria dos votos em quase todas as regiões das 21 Zonas Eleitorais, mas ficou atrás de Leandro Grass (PT) na Asa Norte e na Asa Sul.

Estratégia para conquistar o eleitorado de centro

Sobre a disputa no segundo turno, a governadora disse que a campanha buscará atrair os eleitores de centro e também aqueles que não compareceram às urnas na primeira votação.

“Nós temos muitos eleitores de centro. Falar que nós não temos eleitores de centro? Claro que tem. Mas o eleitor de centro, com o que ele está vendo, está fazendo uma opção, e a opção não é o PT”, disse.

Questionada sobre o comando da campanha de Flávio Bolsonaro no Distrito Federal, Celina respondeu que o trabalho deverá ser conduzido conjuntamente por ela e pelas senadoras Bia Kicis e Michelle Bolsonaro.

“Nós três vamos cuidar. Qual são as estratégias agora na eleição? É trazer esse voto do centro que não foi votar porque não quer nem um projeto nem outro, demonstrar aquilo que tem sido falado, os absurdos que têm sido falados”, declarou.

Segundo Celina, a estratégia para convencer o eleitorado também deverá incluir a apresentação de propostas voltadas à economia.

“Então, assim, uma política econômica. Se você não quer votar pelo candidato A, B ou C, pode [votar] por uma política econômica séria, um país que tem que gastar menos para conseguir controlar seus gastos, para diminuir os juros do Brasil, para que o brasileiro tenha poder de compra.”

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