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| © Marcelo Camargo/Agência Brasil |
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o registro de uma nova apresentação de medicamento destinado ao tratamento da Atrofia Muscular Espinhal (AME), doença genética rara que compromete os movimentos e pode afetar funções essenciais, como respirar e engolir. A decisão foi publicada nesta quinta-feira (29/10) e autoriza o uso do Evrysdi Go (risdiplam) no Brasil para pacientes adultos e crianças com mais de 2 anos e peso mínimo de 20 quilos.
A principal novidade é a apresentação em comprimidos revestidos, que simplifica a administração do medicamento e elimina a necessidade de refrigeração. A mudança pode facilitar a rotina de pacientes, familiares e cuidadores que convivem diariamente com a doença.
Nova versão facilita o uso do medicamento
Diferentemente da apresentação anterior do risdiplam, que exige preparo antes da administração, o Evrysdi Go pode ser ingerido diretamente com um pouco de água ou dissolvido em água não clorada.
Outra vantagem é que os comprimidos podem ser armazenados em temperatura ambiente, sem necessidade de manter o medicamento refrigerado.
Com isso, o tratamento ganha praticidade no armazenamento, no transporte e no preparo, reduzindo etapas que fazem parte da rotina de cuidados.
A autorização da Anvisa contempla pacientes diagnosticados com AME 5q dos tipos 1, 2 e 3, além daqueles que apresentam de uma a quatro cópias do gene SMN2.
O que é a Atrofia Muscular Espinhal?
A AME é uma doença genética rara que provoca a perda progressiva dos neurônios motores, responsáveis por transmitir os comandos do cérebro aos músculos.
A condição está relacionada à deficiência da proteína SMN, essencial para a sobrevivência dessas células nervosas. Com a evolução da doença, o paciente pode apresentar fraqueza muscular, perda de massa muscular e dificuldades para realizar movimentos.
Dependendo do tipo e da gravidade, também podem surgir limitações para sustentar a cabeça, sentar, engatinhar e caminhar. Em situações mais graves, os músculos envolvidos na respiração e na deglutição também são comprometidos.
O risdiplam atua favorecendo a produção da proteína SMN em sua forma funcional, ajudando a preservar os neurônios motores e a reduzir os impactos da doença.
Estudos apontaram benefícios motores
A aprovação do medicamento considerou pesquisas clínicas realizadas com pacientes de diferentes faixas etárias e tipos de AME.
Em um dos estudos, que acompanhou 41 bebês diagnosticados com AME tipo 1, 12 crianças conseguiram permanecer sentadas sem apoio por mais de cinco segundos após 12 meses de tratamento.
Outra pesquisa avaliou 180 pacientes com os tipos 2 e 3 da doença. Os resultados apontaram uma melhora discreta na função motora entre aqueles que receberam o medicamento, em comparação com o grupo que utilizou placebo.
Aprovação não garante fornecimento pelo SUS
O registro foi formalizado pela Resolução nº 4.244/2026, publicada no Diário Oficial da União.
Apesar de permitir a comercialização do Evrysdi Go no Brasil, a decisão da Anvisa não significa que o medicamento estará automaticamente disponível na rede pública de saúde.
Para que o tratamento seja incorporado ao Sistema Único de Saúde (SUS), ainda são necessárias avaliações e decisões específicas sobre sua oferta.
A indicação, a dosagem e o acompanhamento devem ser definidos por profissionais de saúde, conforme as condições clínicas de cada paciente.
Da redação Estrutural On-line

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