O prefeito de Anápolis, Márcio Corrêa (PL), intensificou a disputa política dentro da direita em Goiás e fez duras críticas ao senador Wilder Morais (PL), pré-candidato ao governo do Estado. Em vídeo publicado nas redes sociais na noite desta sexta-feira (4/9), o prefeito respondeu às declarações feitas pelo senador durante uma sabatina ao portal Mais Goiás.
Wilder havia classificado Márcio como um político de “sabor direita”. Na resposta, o prefeito adotou tom irônico e afirmou que o senador poderia ser associado a expressões como “sabor Cachoeira”, “sabor Morais”, “sabor Messias”, “sabor rabo preso” e “sabor preguiça”.
“Podia ter citado aí ‘sabor Cachoeira’, ‘sabor Morais’, ‘sabor Messias’, ‘sabor rabo preso’, ‘sabor preguiça’. Mas o seu sabor, senador, é o sabor amargo da derrota, por essas atitudes”, afirmou Márcio.
Além das provocações, o prefeito questionou a postura política de Wilder e disse que o senador deveria concentrar esforços na apresentação de propostas para Goiás, em vez de direcionar críticas pessoais a adversários.
“O senhor tinha de gastar esse tempo para apresentar propostas e projetos consistentes que resolvam a vida do cidadão”, declarou.
Márcio resgata ligação de Wilder com Carlinhos Cachoeira
Entre os principais pontos levantados pelo prefeito está a relação de Wilder Morais com o empresário e contraventor Carlos Augusto Ramos, conhecido como Carlinhos Cachoeira.
O episódio remonta às investigações da Operação Monte Carlo, da Polícia Federal. Em gravações divulgadas durante o caso, Cachoeira afirmou ter participado da trajetória política de Wilder e disse que havia contribuído para sua chegada à suplência do Senado.
Em uma das conversas, Cachoeira afirma: “Fui eu que te pus na suplência, essa secretaria, fui eu”. Wilder, por sua vez, reconhece a importância do contraventor em sua trajetória política.
Wilder chegou ao Senado em 2012, quando assumiu a vaga deixada por Demóstenes Torres, que havia sido cassado.
Ausência em votação de Jorge Messias também vira alvo de críticas
Outro episódio utilizado por Márcio Corrêa para questionar a atuação de Wilder na direita envolve a votação da indicação de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal (STF).
Em 29 de abril deste ano, Wilder não participou da sessão que rejeitou a indicação feita pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O registro oficial do Senado classificou a situação como “não compareceu”.
Messias enfrentava forte resistência de senadores ligados ao PL e precisava de maioria absoluta para ser aprovado. A ausência de Wilder retirou da votação um potencial voto contrário à indicação.
Apesar de posteriormente publicar um vídeo comemorando a rejeição de Messias, o senador foi cobrado por integrantes da própria direita em razão de sua ausência na sessão.
Jantar com Alexandre de Moraes volta ao debate
Márcio também recuperou a atuação de Wilder na articulação política que antecedeu a aprovação de Alexandre de Moraes para o STF, em 2017.
Na época, Wilder participou da organização de um encontro entre Moraes e senadores que analisavam a indicação do então ministro da Justiça para a Suprema Corte. O jantar ocorreu em uma embarcação de propriedade do senador, no Lago Paranoá, em Brasília, e funcionou como uma oportunidade para Moraes conversar com parlamentares antes da votação.
Anos depois, Alexandre de Moraes passou a ocupar posição central nos conflitos entre o Supremo Tribunal Federal e setores do bolsonarismo, além de tomar decisões judiciais que atingiram diretamente o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Prefeito chama candidatura de Wilder de “projeto falido”
As críticas de Márcio não ficaram restritas ao histórico político de Wilder. O prefeito também questionou a estratégia de campanha do senador para o governo de Goiás.
Em tom provocativo, disse que Wilder deveria estar mais próximo da população e criticou o que considera uma postura distante do eleitorado.
“Não vai pôr botina só no dia do debate, não, e ficar usando sapatinho caro no ar-condicionado. Vai pôr botina, trabalhar, dialogar com a população”, afirmou.
Márcio ainda classificou a candidatura de Wilder como um “projeto falido” e comparou o grupo político do senador a um “barco que está afundando”.
“Todo dia é um desembarcando por causa dessas atitudes imaturas”, disse o prefeito.
Apoio a Daniel Vilela provoca crise no PL
O confronto entre os dois políticos ocorre em meio a uma crise interna no PL de Goiás. Em 22 de agosto, Márcio Corrêa declarou apoio à reeleição de Daniel Vilela, movimento que contrariou os interesses do grupo que trabalha pela candidatura de Wilder Morais ao governo estadual.
A decisão levou à abertura de um processo ético-disciplinar contra o prefeito dentro do partido.
Mesmo diante da pressão interna, Márcio afirma que continua alinhado a nomes da direita nacional, citando o senador Flávio Bolsonaro, o deputado Gustavo Gayer e o ex-deputado Major Vitor Hugo.
Ao defender sua posição, o prefeito de Anápolis voltou a criticar Wilder e afirmou que pretende manter sua atuação política voltada para a população do município e para os candidatos que considera verdadeiramente alinhados à direita.
A troca de acusações amplia a divisão dentro do PL em Goiás e evidencia a disputa pelo protagonismo da direita no Estado para as eleições de 2026.
Da redação Estrutural on-line

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