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Lula assina MP que prevê fim das bets no Brasil; veja prazos para saques e retirada dos sites

Medida provisória suspende novos depósitos, determina retirada da publicidade e prevê desligamento das plataformas de apostas online
Rebeca Ligabue/Metrópoles

O governo federal anunciou nesta sexta-feira (25/9) uma mudança drástica no mercado de apostas esportivas e jogos online no Brasil. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou, em São Paulo, uma medida provisória (MP) que determina o encerramento da operação das chamadas bets no país.

A medida foi apresentada durante agenda oficial do presidente e teve os detalhes explicados pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan. Segundo o governo, a partir da publicação da MP ficam proibidos novos aportes de dinheiro nas plataformas de apostas.

Os usuários ainda terão um período para retirar valores que estejam disponíveis nas contas. O prazo termina às 23h59 do dia 5 de outubro. A previsão é que, a partir de 6 de outubro, as plataformas deixem de funcionar.

Como ficará o dinheiro dos apostadores

A MP estabelece um cronograma específico para o resgate dos valores. Quem não conseguir retirar o saldo dentro do prazo terá o dinheiro devolvido posteriormente por meio das instituições financeiras.

De acordo com o governo, os bancos deverão realizar essas devoluções entre os dias 9 e 14 de outubro.

A medida provisória será publicada em edição extra do Diário Oficial da União (DOU).

Bets terão de retirar publicidade

As novas regras também atingem diretamente a publicidade relacionada às plataformas de apostas.

Empresas do setor terão até o fim do dia 5 de outubro para retirar anúncios, campanhas e demais ações de marketing vinculadas às bets, tanto em ambientes digitais quanto em espaços físicos.

O mesmo prazo será aplicado às marcas de apostas presentes em contratos de patrocínio.

A decisão tem impacto direto no futebol brasileiro, já que diversas equipes mantêm ou mantiveram acordos comerciais com empresas do setor.

Fiscalização contra plataformas ilegais

O governo também anunciou o reforço das ações contra sites de apostas considerados ilegais.

Uma força-tarefa deverá reunir diferentes órgãos para ampliar o bloqueio de plataformas irregulares, investigar movimentações financeiras e compartilhar informações estratégicas entre as instituições responsáveis pela fiscalização.

A atuação deverá envolver ainda o Ministério da Justiça e Segurança Pública e a Polícia Federal.

Além da medida provisória, o governo informou que pretende encaminhar ao Congresso Nacional um projeto de lei voltado ao endurecimento das regras contra jogos de azar.

Também foi anunciado o chamado Desenrola 3.0, programa destinado ao enfrentamento do endividamento e à reestruturação de crédito.

Jogo do Tigrinho também entra nas mudanças

As medidas anunciadas não se limitam às apostas esportivas. Plataformas de cassino virtual, como o conhecido Jogo do Tigrinho, também serão atingidas pelas novas regras.

Durante o anúncio, Lula defendeu a necessidade de ampliar o controle sobre o setor e afirmou que as apostas passaram a fazer parte da rotina das famílias brasileiras.

MP ainda precisa passar pelo Congresso

Apesar de a medida provisória produzir efeitos a partir de sua publicação, a decisão não se torna uma lei permanente automaticamente.

O texto será encaminhado ao Congresso Nacional e precisará ser analisado pela Câmara dos Deputados e pelo Senado Federal. O prazo constitucional para apreciação é de até 120 dias, período no qual os parlamentares poderão manter, alterar ou rejeitar as medidas previstas.

Clubes de futebol criticam decisão

O anúncio provocou reação imediata no meio esportivo. Clubes da primeira divisão do futebol brasileiro, entre eles Palmeiras, Santos, São Paulo, Botafogo, Flamengo, Fluminense, Vasco e Cruzeiro, se posicionaram contra a medida.

As manifestações também envolveram as federações Paulista e Carioca de Futebol. As entidades e clubes apontaram preocupação com os impactos econômicos que o fim dos patrocínios de empresas de apostas poderia provocar no futebol nacional.

O tema também entrou no debate político. O senador Flávio Bolsonaro (PL), adversário de Lula no cenário eleitoral, criticou a decisão e classificou a iniciativa como “hipócrita, eleitoreira e populista”. Ele também fez referência ao Jogo do Tigrinho ao comentar o anúncio.

A discussão agora deverá avançar no Congresso Nacional, onde os parlamentares terão de analisar o conteúdo da medida provisória e definir o futuro das regras estabelecidas pelo governo.

Da redação Estrutural On-line
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