![]() |
| Ricardo Stuckert / PR |
O governo brasileiro avalia que houve uma mudança no tom de Washington nas discussões sobre o chamado tarifaço imposto pelos Estados Unidos a produtos nacionais. Após meses de tensão comercial, representantes dos dois países voltaram a conversar e deixaram encaminhada a continuidade das negociações.
A percepção em Brasília é de que a equipe do presidente Donald Trump demonstrou interesse efetivo em reabrir o diálogo. A avaliação surgiu após uma reunião virtual realizada em 31 de agosto, que reuniu autoridades responsáveis pela política comercial dos dois governos.
Participaram do encontro o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, o chanceler Mauro Vieira e o representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer. A reunião durou cerca de 40 minutos e marcou a retomada formal das conversas sobre as tarifas.
Negociação deve avançar em reuniões técnicas
Apesar do clima considerado mais favorável, nenhum acordo foi fechado durante o primeiro encontro. A estratégia agora é permitir que equipes técnicas dos dois países aprofundem os pontos da negociação antes de uma nova conversa entre ministros.
Segundo a avaliação do governo brasileiro, os norte-americanos não apresentaram, nessa primeira reunião, uma nova exigência específica relacionada à abertura de setores da economia brasileira. O foco permaneceu concentrado nas tarifas comerciais.
A expectativa é que as próximas rodadas ajudem Brasília a compreender com maior precisão quais mudanças Washington pretende obter para rever parte das sobretaxas. O governo brasileiro também deverá buscar a ampliação do número de produtos nacionais que ficaram fora das tarifas.
Lula e Trump abriram caminho para retomada
A reaproximação ganhou força depois de uma conversa telefônica entre Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump, em 21 de agosto. O contato entre os presidentes criou as condições políticas para que os representantes comerciais voltassem a negociar.
Para o governo brasileiro, a disposição demonstrada pelos Estados Unidos representa uma mudança importante em relação ao período anterior, quando as conversas estavam praticamente paralisadas.
O ministro Márcio Elias Rosa afirmou que existe uma orientação da administração Trump para buscar um entendimento com o Brasil. A avaliação é de que o novo cenário pode permitir discussões sobre um eventual reequilíbrio da política tarifária entre os dois países.
Tarifas chegam a 37,5% em determinados produtos
O tarifaço continua sendo um dos principais pontos de atrito na relação entre Brasília e Washington. Dependendo do produto, as sobretaxas aplicadas pelos Estados Unidos podem chegar a 37,5%, resultado da combinação de diferentes medidas adotadas pelo governo norte-americano.
As cobranças preocupam o setor exportador brasileiro porque aumentam o custo dos produtos no mercado americano e podem reduzir a competitividade de empresas nacionais.
O governo Lula, por sua vez, mantém a negociação como prioridade, mas também iniciou procedimentos relacionados à Lei de Reciprocidade Econômica. A medida representa uma alternativa caso as conversas não produzam resultados considerados satisfatórios.
Próximo encontro deve ocorrer nos Estados Unidos
A agenda bilateral deverá ganhar novo capítulo no fim de setembro. Márcio Elias Rosa e Mauro Vieira têm viagem prevista aos Estados Unidos para participar de compromissos relacionados ao comércio internacional e devem voltar a discutir diretamente o tarifaço com Jamieson Greer.
Até lá, a expectativa é que as equipes técnicas avancem na identificação dos principais pontos de divergência e das possíveis áreas de entendimento.
Para Brasília, a simples retomada das conversas ainda não significa que o tarifaço será retirado. O principal objetivo, neste momento, é transformar a reabertura do canal diplomático em negociações capazes de produzir resultados concretos para as exportações brasileiras.
Da redação Estrutural On-line

Os comentários são de inteira responsabilidade do autor e não expressam a opinião do Estrutural On Line. Você pode ser responsabilizado pelo conteúdo publicado.
Por favor leia nossa Política de Comentários antes de comentar.
Comentários
Postar um comentário
Agradecemos pelo comentário.