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Operação da PCDF revela plano de grupo para atacar prédios públicos em Brasília durante as eleições

Investigação aponta que suspeitos usavam Telegram para mapear alvos na Esplanada e compartilhar materiais sobre explosivos
Foto: Francisco Gelielçon / Estrutural On-line

A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) revelou nesta terça-feira (4) detalhes de uma investigação que desarticulou um grupo suspeito de planejar ataques contra prédios públicos em Brasília durante o período das eleições de 2026. A ação faz parte da Operação Rede Interrompida, que cumpriu mandados em cinco estados e teve como foco oito investigados com idades entre 19 e 31 anos.

De acordo com as autoridades, os suspeitos utilizavam um grupo no aplicativo Telegram para organizar as ações. O espaço virtual funcionava como uma central de planejamento, onde eram discutidos possíveis alvos, estratégias e compartilhados materiais relacionados à fabricação de artefatos explosivos.

Durante entrevista coletiva, o delegado Maurílio Coelho explicou que o grupo demonstrava insatisfação com o sistema político brasileiro, mas não apresentava vínculos identificados com correntes ideológicas de esquerda ou de direita.

Segundo a investigação, os participantes pretendiam provocar uma espécie de "revolução política" por meio de ataques a edifícios públicos localizados na área central da capital federal, principalmente na Esplanada dos Ministérios.

Mapeamento de prédios públicos

As apurações indicam que os investigados produziram um mapa detalhado da região central de Brasília, identificando ministérios, o Congresso Nacional e o Supremo Tribunal Federal (STF). Esses locais eram classificados pelo grupo como possíveis alvos da ação criminosa.

A Polícia Civil também informou que os suspeitos chegaram a acessar a planta baixa do Palácio do Planalto, apontado nas conversas como o principal objetivo do plano.

"O grupo não mencionava nomes específicos de autoridades. As mensagens indicavam uma postura contrária ao sistema político de forma geral, sem direcionamento ideológico definido", afirmou o delegado Maurílio Coelho.

Embora os investigadores tenham identificado que os ataques estavam previstos para ocorrer em outubro deste ano, ainda não foi possível determinar uma data exata nem a forma como as ações seriam executadas.

Compartilhamento de manuais acendeu alerta

Um dos fatores que levou ao avanço das investigações foi o compartilhamento de conteúdos sobre a fabricação de explosivos dentro do grupo virtual. Esse material motivou o cumprimento de medidas cautelares para preservar provas e impedir eventual evolução do planejamento.

As buscas realizadas nesta terça-feira tiveram como objetivo apreender computadores, celulares e outros dispositivos eletrônicos que possam esclarecer o nível de organização dos investigados e identificar possíveis envolvidos que ainda não foram localizados.

Investigação começou após alerta da Abin

O caso teve início após informações obtidas pela Agência Brasileira de Inteligência (Abin), que encaminhou os dados ao Ciberlab, laboratório da Secretaria Nacional de Segurança Pública, vinculada ao Ministério da Justiça e Segurança Pública.

A partir desse compartilhamento de informações, foi formada uma força-tarefa envolvendo a PCDF e as polícias civis de Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Pernambuco e Rio Grande do Sul, estados onde os investigados foram localizados.

Segundo a Polícia Civil, nenhum dos oito alvos possui antecedentes criminais.

Crimes investigados

Neste momento, a investigação apura, em tese, os crimes de associação criminosa, incitação ao crime, apologia ao crime ou criminoso e infrações previstas na legislação antirracismo.

A PCDF destacou que, até esta fase da apuração, os fatos não foram enquadrados na Lei de Terrorismo. A responsabilização individual dos investigados dependerá da análise pericial dos equipamentos apreendidos e do aprofundamento das investigações, que seguem sob sigilo.

Da redação Estrutural On-line
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