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A televisão brasileira perdeu nesta terça-feira (18/8) uma de suas figuras mais marcantes. Glória Menezes morreu aos 91 anos, em casa, no Rio de Janeiro, por causas naturais. Com uma carreira de mais de seis décadas, a atriz atravessou diferentes fases da dramaturgia nacional e deixou personagens lembrados por várias gerações.
Glória estreou na televisão em 1959, na novela “Um Lugar ao Sol”, e rapidamente ganhou espaço entre os grandes nomes da teledramaturgia. Ao longo dos anos, participou de produções que se tornaram clássicos, como “Irmãos Coragem”, “Guerra dos Sexos”, “Corpo a Corpo”, “Senhora do Destino”, “Páginas da Vida” e “A Favorita”.
Seu último trabalho em novelas foi em “Totalmente Demais”, em 2015, quando interpretou Stelinha Bastos. Depois disso, passou a manter uma rotina mais reservada ao lado dos filhos.
Uma carreira construída no teatro, cinema e TV
Nascida Nilcedes Soares de Magalhães, em 19 de outubro de 1934, Glória Menezes mudou-se ainda criança com a família para São Paulo. Na capital paulista, estudou na Escola de Artes Dramáticas da Universidade de São Paulo (USP).
Durante a formação, participou da criação do grupo de teatro amador Jovens Independentes. Em 1959, chegou ao teatro profissional e recebeu o prêmio de Atriz Revelação em um festival dirigido por Antunes Filho.
No mesmo ano, estreou na televisão e iniciou uma trajetória que faria dela uma das principais referências da dramaturgia brasileira.
Um dos momentos decisivos de sua carreira ocorreu com a peça “As Feiticeiras de Salém”. Além do reconhecimento artístico, o espetáculo teve importância pessoal: foi nos bastidores da montagem que Glória conheceu Tarcísio Meira, com quem se casaria e viveria por quase 60 anos.
A parceria dos dois também marcou a televisão brasileira. Em 1963, eles protagonizaram a primeira novela diária da TV brasileira e, posteriormente, dividiram o elenco de diversas produções.
Entre os trabalhos do casal estão “Sangue e Areia”, “Rosa Rebelde”, “Irmãos Coragem”, “Espelho Mágico”, “Guerra dos Sexos” e “Torre de Babel”.
Destaque também no cinema
Glória Menezes também construiu uma carreira importante no cinema. Em 1960, foi convidada pelo diretor Anselmo Duarte para participar de “O Pagador de Promessas”, lançado em 1962.
O filme entrou para a história do cinema brasileiro ao conquistar a Palma de Ouro no Festival de Cannes.
Na televisão, a atriz continuou acumulando personagens de destaque ao longo das décadas. Além dos grandes sucessos dos anos 1980, esteve em novelas como “Deus nos Acuda”, “O Beijo do Vampiro”, “Senhora do Destino”, “Páginas da Vida” e “A Favorita”.
Vida ao lado de Tarcísio Meira
Glória Menezes e Tarcísio Meira formaram um dos casais mais conhecidos da história da televisão brasileira. Os dois permaneceram juntos por quase seis décadas e tiveram um filho, Tarcísio Filho.
A atriz também era mãe de João Paulo e Maria Amélia, filhos de seu primeiro casamento com Arnaldo Brito.
Tarcísio Meira morreu em 2021, aos 85 anos, após complicações provocadas pela Covid-19. Naquele mesmo período, Glória também foi diagnosticada com a doença e precisou ser internada no Hospital Albert Einstein, em São Paulo. Ela apresentou sintomas leves e se recuperou.
Nos últimos anos, a atriz passou a aparecer raramente em público. Em algumas ocasiões, foi vista utilizando cadeira de rodas, mas explicou que o equipamento era usado por uma questão de conforto.
Longe dos holofotes, Glória passou a viver de maneira mais reservada no Rio de Janeiro, próxima dos filhos. Suas aparições recentes mostravam uma atriz sorridente e cercada pelos familiares.
Com a morte de Glória Menezes, a dramaturgia brasileira se despede de uma artista que acompanhou a construção da televisão no país e ajudou a transformar a história das novelas brasileiras.
Da redação Estrutural On-line

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