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Quase uma década depois de ser levado para os Estados Unidos, Joaquín “El Chapo” Guzmán continua tentando deixar a prisão de segurança máxima onde cumpre pena. O ex-líder do Cartel de Sinaloa voltou a solicitar sua extradição para o México e também questionou a forma como foi conduzido o processo que resultou em sua condenação.
A nova tentativa foi apresentada diretamente ao tribunal federal do Distrito Leste de Nova York, no Brooklyn. Em uma carta enviada sem a participação de advogados, Guzmán pediu ao juiz Brian Cogan, que comandou seu julgamento em 2019, que autorizasse seu retorno ao país de origem.
O documento foi protocolado pelo setor responsável por receber manifestações de pessoas que atuam judicialmente por conta própria. Na petição, El Chapo afirma que busca uma “liberação por extradição” para o México, onde ainda responde a acusações.
El Chapo questiona condenação nos EUA
Além do pedido de extradição, o narcotraficante sustenta que teve direitos violados durante o processo nos Estados Unidos. Ele defende que um eventual avanço em seus recursos poderia resultar em um novo julgamento.
Guzmán também menciona a possibilidade de uma articulação entre autoridades mexicanas e norte-americanas para viabilizar seu retorno. A Justiça dos Estados Unidos, no entanto, já rejeitou outras iniciativas semelhantes apresentadas pelo traficante.
Em outubro de 2024, ele havia encaminhado outra solicitação ao juiz Brian Cogan, pedindo uma revisão de sua sentença. Posteriormente, voltou a contestar aspectos do processo e a defender sua transferência para o México.
Em maio de 2026, Cogan recusou mais uma vez o pedido de extradição apresentado pelo ex-chefe do Cartel de Sinaloa.
Condenação à prisão perpétua
El Chapo foi extraditado para os Estados Unidos e levado a julgamento em Nova York. Em 2019, um júri o considerou culpado por crimes relacionados ao tráfico internacional de drogas e às atividades do Cartel de Sinaloa.
A sentença imposta pela Justiça americana foi de prisão perpétua, acrescida de mais 30 anos. Em 2022, uma corte federal de apelações manteve a condenação e rejeitou os principais argumentos apresentados pela defesa.
Desde então, Guzmán permanece sob custódia dos Estados Unidos e tem utilizado diferentes recursos para tentar modificar sua situação judicial.
Filme reacende interesse pela história de El Chapo
A nova tentativa de retorno ao México ocorre no mesmo período em que a trajetória do narcotraficante voltou ao centro das atenções com o lançamento de “La Captura”, produção mexicana disponibilizada pela Netflix em 21 de agosto.
O filme dramatiza a operação que terminou com a recaptura de El Chapo em 8 de janeiro de 2016, na cidade de Los Mochis, no estado mexicano de Sinaloa.
A história acompanha os policiais federais Arturo Carmona, interpretado por Alfonso Herrera, e Héctor Rosales, vivido por Noé Hernández. A trama se concentra nas horas que antecederam a captura e mostra os dilemas enfrentados pelos agentes durante a operação.
Inspirada nas crônicas do jornalista Héctor de Mauleón, a produção adota uma perspectiva diferente de outras obras sobre o narcotraficante. Em vez de colocar El Chapo como personagem central, o filme destaca os policiais envolvidos na operação e as decisões tomadas diante de ameaças e suspeitas de corrupção.
Enquanto a produção reacende o interesse público pela história do traficante, Guzmán segue tentando, por meio da Justiça americana, uma mudança no destino que lhe foi imposto: deixar os Estados Unidos e voltar para o México.
Da redação Estrutural On-line

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