Independentemente de quem esteja no poder ou na oposição, representantes públicos precisam estar preparados para responder questionamentos da sociedade sem que o debate seja substituído pela intimidação.
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O caso envolvendo o vereador Felipe Araújo (MDB) e a comitiva do ex-governador Marconi Perillo (PSDB), ocorrido durante uma visita à Câmara Municipal de Nova Glória, mostra o desespero da comitiva de Marconi e chama atenção por um aspecto que vai além das disputas políticas: o respeito ao direito de questionar.
De acordo com o vereador, a confusão começou após ele cobrar explicações sobre a paralisação das obras do Colégio Heloísa de Fátima Vargas durante a gestão de Marconi Perillo. As imagens divulgadas mostram um momento de tensão, em que assessores afastam o parlamentar, um microfone é retirado de suas mãos e lançado ao chão, enquanto o ex-governador deixa o local sem responder ao questionamento. Até o momento, Marconi Perillo e sua assessoria não haviam se manifestado sobre as acusações.
Em uma democracia, o contraditório faz parte da atividade política. Quem ocupa ou já ocupou cargo público naturalmente será cobrado por decisões tomadas durante o mandato. Da mesma forma, vereadores, deputados, prefeitos, governadores e presidentes devem estar sujeitos ao escrutínio público.
Questionamentos podem ser incômodos, especialmente quando envolvem obras paralisadas, promessas não cumpridas ou problemas administrativos. Ainda assim, responder com diálogo — ou mesmo optar por não responder — é diferente de permitir que o ambiente se transforme em um cenário de intimidação física.
Agressão é inadmissível e os fatos precisam ser apurados pelas autoridades competentes.
O cidadão espera que seus representantes discutam soluções para problemas reais, prestem contas de suas ações e enfrentem críticas com argumentos, não com tumulto.
A democracia se fortalece quando perguntas recebem respostas, mesmo que elas sejam duras ou desconfortáveis. Ela se enfraquece quando o diálogo é interrompido por empurrões, gritos ou qualquer forma de intimidação.
Após o caso Felipe Araújo afirmou que seguirá exercendo o mandato "com responsabilidade, fiscalizando, cobrando e defendendo os interesses da população de Nova Glória, sem se intimidar". Até a publicação desta reportagem, Marconi Perillo e sua assessoria não haviam se manifestado sobre as acusações feitas pelo vereador.
Por Francisco Gelielçon
#EstruturalOnLine

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