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| Francisco Gelielçon / Estrutural On-line |
O governo federal negou a concessão de vistos a dois integrantes do Departamento de Estado dos Estados Unidos que planejavam visitar o Brasil para tratar de temas relacionados às eleições presidenciais de 2026. A decisão foi tomada pelo Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty), que avaliou a iniciativa como uma possível tentativa de interferência em assuntos internos do país.
Segundo informações obtidas junto a fontes do governo brasileiro, o pedido de entrada foi protocolado no Consulado do Brasil em Washington no último dia 20. A missão seria composta por Riley M. Barnes, secretário de Estado adjunto para Democracia, Direitos Humanos e Trabalho (DRL), e Samuel D. Samson, subsecretário adjunto da mesma área.
De acordo com as informações, os representantes norte-americanos pretendiam se reunir com o senador e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), além de autoridades ligadas ao sistema eleitoral brasileiro. A pauta incluiria debates sobre liberdade de expressão e o processo eleitoral previsto para outubro.
A visita ganhou ainda mais repercussão após reportagem publicada pelo jornal norte-americano The Washington Post, que informou que a delegação vinculada ao governo de Donald Trump pretendia analisar o funcionamento do sistema eleitoral brasileiro.
O episódio também ocorreu dias depois de declarações de Flávio Bolsonaro sobre as urnas eletrônicas. Durante encontro com embaixadores, o senador afirmou que os equipamentos utilizados nas eleições brasileiras teriam origem semelhante às urnas fabricadas pela empresa venezuelana Smartmatic, supostamente envolvida em fraudes eleitorais na Venezuela em 2012.
A informação, no entanto, já havia sido desmentida pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que reiterou que as urnas eletrônicas utilizadas no Brasil não possuem qualquer relação com os equipamentos da empresa citada.
Diante desse contexto, o governo brasileiro concluiu que a missão poderia representar uma tentativa de colocar em dúvida a credibilidade do processo eleitoral nacional e decidiu negar a entrada dos integrantes da delegação norte-americana.
O caso aumenta a tensão diplomática entre Brasil e Estados Unidos em meio ao período que antecede as eleições presidenciais e reforça a posição do Itamaraty de que questões relacionadas ao sistema eleitoral brasileiro devem ser tratadas exclusivamente pelas instituições nacionais.
Da redação Estrutural On-line

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