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EUA negam tentativa de interferência nas eleições brasileiras após veto a vistos de autoridades

Departamento de Estado afirma que visita ao Brasil era de rotina; governo Lula barrou entrada de dois representantes norte-americanos
Francisco Gelielçon / Estrutural On-line

O governo dos Estados Unidos negou, neste sábado (25), que tivesse qualquer intenção de interferir no processo eleitoral brasileiro. A manifestação ocorreu após o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) impedir a entrada no país de dois integrantes do Departamento de Estado que cumpririam agenda oficial em Brasília.

Em nota, o governo norte-americano classificou como "mentira infundada" as alegações de que a missão teria o objetivo de colocar em dúvida a credibilidade das eleições no Brasil.

"Qualquer insinuação de uma conspiração para minar a eleição de uma nação democrática é uma mentira infundada. Tratou-se de uma visita de rotina", informou o Departamento de Estado.

Missão previa reuniões com autoridades e sociedade civil

Segundo os Estados Unidos, a viagem estava programada para ocorrer entre os dias 27 e 30 de julho e incluía encontros com representantes do governo brasileiro, lideranças religiosas e integrantes da sociedade civil.

Os enviados seriam Riley M. Barnes, secretário de Estado adjunto para Democracia, Direitos Humanos e Trabalho, e Samuel D. Samson, subsecretário adjunto da mesma área.

De acordo com a nota oficial, os temas previstos para discussão eram integridade eleitoral, liberdade religiosa e liberdade de expressão.

Governo brasileiro negou vistos

A decisão de negar os vistos foi tomada pelo governo brasileiro após informações divulgadas pelo jornal The Washington Post, segundo as quais a missão poderia ter como finalidade levantar questionamentos sobre a segurança e a confiabilidade do sistema eleitoral brasileiro.

Fontes ouvidas pelo portal Metrópoles afirmaram que os representantes norte-americanos também pretendiam se reunir com o senador e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), além de integrantes da Justiça Eleitoral, para tratar de assuntos relacionados ao pleito previsto para outubro.

Debate sobre urnas eletrônicas voltou ao centro da discussão

Nos últimos dias, Flávio Bolsonaro voltou a fazer críticas ao sistema eletrônico de votação durante um encontro com representantes de cerca de 40 embaixadas.

Na ocasião, o parlamentar citou um suposto relatório da Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos (CIA) que levantaria suspeitas sobre eleições realizadas com equipamentos produzidos pela empresa Smartmatic, de origem venezuelana. O senador, entretanto, não apresentou provas públicas para sustentar as declarações.

TSE reforça confiança no sistema eleitoral

Antes desse episódio, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes, havia defendido a segurança das urnas eletrônicas em reunião com diplomatas estrangeiros.

O magistrado destacou que o sistema brasileiro é referência internacional em integridade eleitoral e afirmou que a urna eletrônica garante igualdade entre os eleitores, independentemente de condição social, renda ou origem.

Enquanto o governo dos Estados Unidos sustenta que a visita tinha caráter institucional, o episódio amplia a tensão diplomática em torno das eleições brasileira.

Da redação Estrutural On-line
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