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Caminhoneiros mantêm greve no Porto de Santos, protesto tem confronto com a PM e trânsito sofre impactos

Paralisação entra no segundo dia, congestionamentos no Sistema Anchieta-Imigrantes e pressão para que o Senado vote a MP do Frete antes do prazo final
Reprodução

A paralisação dos caminhoneiros autônomos no Porto de Santos, no litoral de São Paulo, ganhou novos desdobramentos nesta terça-feira (14). O segundo dia de mobilização foi marcado por um confronto entre manifestantes e policiais militares na região da Alemoa, principal acesso ao complexo portuário, além de reflexos no trânsito de caminhões que seguem em direção aos pátios reguladores da Baixada Santista.

Vídeos divulgados nas redes sociais registraram momentos de tensão durante a manifestação. As imagens mostram um homem discutindo e trocando agressões com policiais militares. Em outro trecho, ele aparece já imobilizado e recebe um golpe na cabeça. Também é possível ver agentes apontando armas em direção aos manifestantes durante a ocorrência.

Segundo a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP), a confusão começou após um homem lançar uma pedra contra o para-brisa de um caminhão que tentava passar pelo bloqueio organizado pelos grevistas.

De acordo com a pasta, durante a abordagem o suspeito resistiu à prisão e avançou contra os policiais. A SSP informou ainda que outros participantes do protesto tentaram impedir a detenção, o que exigiu intervenção da equipe policial. O homem foi encaminhado para atendimento médico e, posteriormente, levado ao 5º Distrito Policial de Santos, onde prestou depoimento e acabou sendo liberado.

Sindicato diz que manifestação continua pacífica

Apesar do episódio, o Sindicato dos Transportadores Rodoviários Autônomos de Bens da Baixada Santista (SINDICAM-Santos) afirmou que o confronto foi um fato isolado e reforçou que a mobilização permanece pacífica.

Em nota, a entidade informou que não existe previsão para o encerramento da paralisação enquanto as reivindicações da categoria não forem atendidas.

"O movimento é legítimo, pacífico e busca garantir direitos que vêm sendo reivindicados há anos. Seguimos abertos ao diálogo e esperamos que as negociações avancem para uma solução que permita o fim da paralisação", destacou o sindicato.

Congestionamentos atingem acesso ao Porto de Santos

A greve também provocou impactos na circulação de veículos de carga. O grande volume de caminhões que tentava acessar os pátios reguladores contribuiu para a formação de congestionamentos em trechos do Sistema Anchieta-Imigrantes (SAI).

Para reduzir os reflexos no trânsito, a concessionária Ecovias Imigrantes colocou em prática o Plano de Contingência, direcionando temporariamente caminhões para a Interligação Planalto, onde os veículos permaneceram retidos até que o fluxo pudesse ser normalizado.

Segundo a empresa, a liberação ocorreu gradualmente para preservar a fluidez na descida da Serra da Via Anchieta e minimizar os impactos no sistema viário de Cubatão.

A concessionária informou que esse procedimento é adotado em situações de bloqueios prolongados ou quando não há alternativas viáveis para o desvio do tráfego.

Caminhoneiros cobram votação da MP do Frete

A mobilização teve início na segunda-feira (13), quando cerca de 70 caminhoneiros se reuniram em Santos para pedir que o Senado Federal vote a Medida Provisória nº 1.343, conhecida como MP do Frete.

A proposta estabelece regras para o transporte rodoviário de cargas, incluindo o cadastramento das operações, a emissão do Código Identificador da Operação de Transporte (CIOT) e mecanismos para garantir o cumprimento do piso mínimo do frete.

Editada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em março deste ano, a medida foi publicada em meio às negociações para evitar uma greve nacional da categoria. No entanto, o texto precisa ser aprovado pelo Congresso até a próxima quinta-feira (16). Caso contrário, perderá sua validade.

Os caminhoneiros afirmam que, se a votação não ocorrer dentro do prazo, a paralisação poderá ser ampliada para outras regiões do país. Segundo lideranças do movimento, a mobilização vem sendo organizada por meio de grupos de mensagens e redes sociais.

Até o momento, o Senado Federal não se pronunciou oficialmente sobre a reivindicação apresentada pelos manifestantes.

Da redação Estrutural On-line
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