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Tarifas dos EUA podem atingir mais de 35% das exportações brasileiras, alerta CNI

Estudo da indústria aponta que novas taxas propostas por Trump podem elevar custos para empresas brasileiras e afetar setores estratégicos da economia
Vosmar Rosa/MPOR

Uma nova proposta tarifária em análise nos Estados Unidos pode provocar impactos significativos sobre as exportações brasileiras. De acordo com um levantamento divulgado nesta segunda-feira (15) pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), cerca de um terço dos produtos enviados pelo Brasil ao mercado norte-americano poderá enfrentar aumento de tarifas caso as medidas sejam aprovadas.

O estudo mostra que 31,6% das exportações brasileiras para os EUA estariam sujeitas a uma tarifa total de até 37,5%, percentual muito superior aos atuais 10% cobrados sobre esses produtos. Outros 3,6% dos embarques poderiam sofrer um reajuste mais moderado, passando para 12,5%.

Se todas as propostas forem implementadas, aproximadamente 35,2% das vendas brasileiras para os Estados Unidos seriam diretamente impactadas.

Impacto pode alcançar mais da metade das exportações

A análise da CNI também considera tarifas já existentes aplicadas pelo governo norte-americano por meio da chamada Seção 232, mecanismo utilizado para proteger determinados setores da indústria dos EUA.

Somando as medidas em vigor e as novas propostas, o percentual de exportações brasileiras sujeitas a algum tipo de sobretaxa poderia chegar a 54,1%.

Apesar da preocupação do setor produtivo, as mudanças ainda não foram aprovadas. Antes de qualquer decisão definitiva, o governo dos Estados Unidos deverá realizar consultas públicas e audiências para ouvir empresas, entidades e representantes de diversos países.

Setores brasileiros podem sentir os maiores efeitos

Entre os produtos que correm maior risco de enfrentar uma tarifa de até 37,5% está o ferro gusa não ligado, um dos principais itens exportados pelo Brasil para os Estados Unidos. Somente em 2024, o produto movimentou cerca de US$ 1,5 bilhão em vendas para o mercado norte-americano.

Outros produtos que podem ser afetados pela tarifa mais elevada incluem:

  • Açúcar de cana em forma sólida;
  • Sebo não comestível;
  • Álcool etílico não desnaturado;
  • Molduras de madeira de pinho.

Já os itens que podem passar a pagar uma tarifa de 12,5% incluem:

  • Minério de ferro e pelotas;
  • Lajes de quartzito;
  • Óleos essenciais de laranja;
  • Silício;
  • Pasta química de madeira.

CNI defende diálogo para evitar prejuízos

Para o presidente da CNI, Ricardo Alban, a adoção das novas tarifas pode gerar efeitos negativos tanto para empresas brasileiras quanto para companhias norte-americanas.

Segundo ele, o aumento dos custos tende a reduzir a competitividade dos produtos, além de criar insegurança para novos investimentos e dificultar as relações comerciais entre os dois países.

A entidade defende que eventuais divergências sejam discutidas por meio de negociações técnicas, sem a imposição de barreiras comerciais que possam prejudicar o fluxo de negócios.

Entenda a origem das propostas dos EUA

As medidas fazem parte de investigações conduzidas pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), com base na legislação comercial norte-americana.

Em uma das apurações, focada especificamente no Brasil, o órgão avaliou temas como comércio digital, políticas tarifárias, propriedade intelectual, mercado de etanol e ações relacionadas ao combate ao desmatamento. A conclusão preliminar apontou que algumas dessas práticas poderiam representar restrições ao comércio dos EUA.

Com isso, foi sugerida uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros, embora aproximadamente 1.698 itens tenham sido incluídos em uma lista de exceções, entre eles café, carne bovina e suco de laranja.

Outra investigação amplia risco de sobretaxas

Paralelamente, os Estados Unidos também conduzem uma investigação envolvendo cerca de 90 países sobre possíveis falhas no combate à importação de produtos ligados ao trabalho forçado.

Nesse processo, o Brasil aparece entre as nações avaliadas. A proposta prevê uma tarifa extra de 12,5%, com exceções para mais de 1.600 produtos.

Quando as duas medidas incidem sobre o mesmo item, a sobretaxa pode alcançar os 37,5%, percentual apontado pela CNI como um dos principais fatores de preocupação para o setor exportador.

Próximos passos

O governo norte-americano ainda não tomou uma decisão final sobre as tarifas. Audiências públicas estão previstas para os dias 6 e 7 de julho, período em que empresas, entidades de classe e governos poderão apresentar argumentos técnicos e sugestões.

Para a CNI, essa fase será fundamental para que o Brasil apresente sua defesa e tente evitar a adoção de medidas que possam comprometer a competitividade das exportações brasileiras e a relação comercial entre as duas maiores economias do continente.

Da redação Estrutural On-line
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