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| Imagem de bhossfeld por Pixabay |
Uma cena de tensão e desespero marcou a noite deste domingo (24) na República Democrática do Congo (RDC). Uma multidão invadiu repetidas vezes o Hospital Geral de Mongwalu, no leste do país, para tentar retirar os corpos de vítimas do ebola, entre eles o de um padre bastante conhecido pela comunidade local.
De acordo com informações divulgadas pela imprensa internacional, grupos de jovens atacaram a unidade hospitalar ao menos quatro vezes ao longo da noite. A polícia precisou intervir e efetuou disparos para o alto para conter os invasores e evitar que os corpos fossem levados pelas famílias.
O episódio ocorre em meio ao avanço preocupante do surto de ebola no país africano, que já mobiliza autoridades sanitárias internacionais e equipes humanitárias.
Corpo de vítimas continua transmitindo o vírus
Especialistas reforçam que os enterros de pacientes mortos por ebola precisam seguir protocolos rigorosos de segurança. Mesmo após a morte, o vírus permanece ativo no organismo e pode ser transmitido por meio do contato com sangue, secreções e fluidos corporais.
Por esse motivo, voluntários da Cruz Vermelha vêm realizando sepultamentos monitorados e protegidos por forças de segurança na região. Ainda assim, três integrantes das equipes humanitárias morreram após serem infectados pela doença.
As autoridades de saúde explicam que cerimônias tradicionais de despedida, comuns em várias comunidades africanas, estão entre os principais fatores de transmissão do vírus. O contato direto com o corpo da vítima durante velórios e rituais religiosos amplia o risco de contágio.
Casos de ebola ultrapassam 900 no Congo
O avanço da doença preocupa organismos internacionais. O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, informou que o número de casos suspeitos de ebola no leste da RDC já ultrapassou 900. Desse total, 101 infecções foram oficialmente confirmadas.
Segundo o Ministério da Saúde congolês, ao menos 204 pessoas morreram entre os 867 casos suspeitos registrados até o último sábado (23).
Diante da escalada da doença, a OMS elevou o nível de risco de disseminação nacional do vírus para “muito alto”. O alerta regional segue classificado como “alto”, enquanto o risco global permanece considerado “baixo”.
Ebola já chegou a países vizinhos
O surto deixou de ser um problema restrito ao Congo. Em Uganda, país vizinho, autoridades sanitárias confirmaram cinco casos da doença durante o fim de semana.
O Centro Africano de Controle e Prevenção de Doenças (Africa CDC) também emitiu alerta para o risco de expansão do vírus para outras nações do continente, incluindo Angola, Burundi, Etiópia, Quênia, Ruanda, Sudão do Sul, Tanzânia e Zâmbia.
O ebola é uma doença viral grave, com alta taxa de mortalidade, e pode provocar febre intensa, hemorragias e falência de órgãos. A transmissão ocorre principalmente pelo contato direto com fluidos corporais contaminados.
Da redação Estrutural On-line

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