Saída ocorre na véspera de julgamento no TSE e abre caminho para eleição indireta na Alerj
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| Foto: VINÍCIUS SCHMIDT/METRÓPOLES @vinicius.foto |
O governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), deixou o cargo nesta segunda-feira (23), em meio à expectativa pela retomada de seu julgamento no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), marcada para terça-feira (24). A decisão altera o tabuleiro político no estado e dá início a um processo de escolha indireta para um novo chefe do Executivo fluminense.
A renúncia foi definida após dias de articulação com aliados e é vista como uma tentativa de reduzir os impactos de uma possível condenação na Justiça Eleitoral, que pode incluir inelegibilidade. Ao mesmo tempo, o movimento busca manter a influência de Castro na definição do próximo governo estadual.
Sem governador e vice — já que Thiago Pampolha deixou o posto para assumir função no Tribunal de Contas do Estado —, o comando do Executivo passa temporariamente ao presidente do Tribunal de Justiça do Rio, desembargador Ricardo Couto. Ele terá até 48 horas para convocar a eleição indireta que escolherá o responsável por cumprir o restante do mandato até o fim do ano.
Em declaração após reunião com apoiadores, Castro afirmou que encerra sua gestão para disputar uma vaga no Senado. Segundo ele, a decisão foi tomada com serenidade e respaldo nos resultados de sua administração. O ex-governador também destacou índices de aprovação e desempenho em pesquisas eleitorais.
Nos bastidores, porém, o avanço do processo no TSE acelerou a decisão. Castro é investigado por suposto uso indevido da máquina pública, com a contratação de milhares de servidores temporários sem critérios claros. Até o momento, dois ministros já votaram pela cassação e pela inelegibilidade.
Apesar da renúncia, especialistas avaliam que o julgamento deve prosseguir. Nesse caso, a eventual perda de mandato perderia efeito prático, mas a inelegibilidade poderia ser mantida, impactando diretamente os planos políticos do ex-governador.
A retomada do julgamento foi determinada pela presidente do TSE, ministra Cármen Lúcia, após pedido de vista do ministro Nunes Marques. A decisão contrariou expectativas de aliados de Castro, que apostavam em mais tempo para articulação.
Disputa pelo mandato-tampão
Com a vacância dos cargos, caberá à Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) eleger, de forma indireta, o próximo governador. O eleito ficará no posto até a posse do vencedor das eleições regulares.
O processo, no entanto, enfrenta incertezas jurídicas. Trechos da lei que regulamenta a eleição indireta, sancionada recentemente por Castro, foram suspensos pelo ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF). Entre os pontos barrados estão mudanças nos prazos de desincompatibilização e regras sobre o formato da votação.
A decisão pode dificultar a participação de nomes cotados para o cargo, incluindo aliados do próprio Castro. Nos últimos dias, integrantes do governo foram exonerados para viabilizar possíveis candidaturas tanto na eleição indireta quanto no pleito de outubro.
Impactos na Assembleia
A crise política pode se estender à própria Alerj. Isso porque o julgamento no TSE também envolve o presidente da Casa, Rodrigo Bacellar (União), que já teve voto favorável à cassação proferido pela relatora do caso.
Caso a maioria dos ministros siga esse entendimento, os deputados estaduais terão de eleger um novo comando para o Legislativo fluminense. Bacellar está afastado desde dezembro, e a Assembleia é atualmente presidida interinamente por Guilherme Delaroli (PL).
Trajetória e gestão sob pressão
Cláudio Castro chegou ao governo em 2020, após o afastamento de Wilson Witzel, e foi reeleito em 2022. Durante sua gestão, enfrentou críticas relacionadas à segurança pública, especialmente por operações policiais com alto número de mortes.
O ex-governador também chegou a ser investigado pela Polícia Federal por suspeitas de corrupção e peculato em fatos anteriores ao atual mandato, mas o caso foi arquivado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ).
Com a saída do cargo e o julgamento em andamento, o futuro político de Castro permanece incerto, enquanto o estado entra em uma nova fase de transição e disputas internas pelo poder.
Da redação Estrutural On-line

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